Mudança climática

Carlos Pimenta Ex-secretário-de Estado do Ambiente e das Pescas, relator do Protocolo de Quioto

A forma como gastamos água e energia, o lixo que produzimos, a falta de atenção ao que “pomos no prato”, a não consideração dos meios de transporte menos poluentes, são opções de cada um de nós e que contrariam frontalmente o discurso preocupado que a maioria dos cidadãos expressa nos sucessivos inquéritos à opinião pública e nas entrevistas de rua.

As alterações climáticas são o tema do próximo debate Fronteiras XXI: quarta-feira, dia 11, às 22h30 na RTP3.

 

O assunto é bem conhecido. Os dados recolhidos diariamente pelas estações meteorológicas, satélites e sondas marítimas, são objetivos e inequívocos: a atmosfera está a mudar com aumentos crescentes da concentração dos gases com efeito estufa (CO2, metano, entre outros) resultante da queima imoderada de combustíveis fósseis, o planeta está a aquecer, os glaciares estão a derreter, o oceano está a subir, a frequência e a intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos está a aumentar e a natureza empobrece-se de ano para ano com a extinção de espécies e a destruição de ecossistemas.

O homem da pós-revolução industrial conseguiu alterar a composição da atmosfera, dos oceanos e das suas dinâmicas.

Isto são factos, não são previsões resultantes de modelos matemáticos. Só que estes também nos avisam de que o pior está para vir: com metade da humanidade a viver “à borda de agua” e parte significativa da outra metade a viver em zonas afetadas por secas e com riscos sérios de falta de água doce, de que estamos à espera para “mudar de vida”?

“Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar”
escrevia Sophia de Mello Breyner e cantava Francisco Fanhais

No entanto é isso mesmo que fazemos diariamente, desde que nos levantamos até que nos deitamos.

A forma como gastamos água e energia, o lixo que produzimos, a falta de atenção ao que “pomos no prato”, a não consideração dos meios de transporte menos poluentes, são opções de cada um de nós e que contrariam frontalmente o discurso preocupado que a maioria dos cidadãos expressa nos sucessivos inquéritos à opinião pública e nas entrevistas de rua.

Esta contradição tem reflexo direto na atuação de quem “manda”: das empresas às coletividades, das Câmaras Municipais ao Governo. É evidente a inconsistência entre o discurso e a prática, entre a terapia prestada a uma Terra a necessitar de “cuidados intensivos”, em contraponto com os “pensos e aspirinas” com que se tem tentado enfrentar o problema, mas que não salvam o doente.

“Fiscalidade Verde”, “Desenvolvimento Sustentável” ou “Economia Circular”, são algumas formas de exprimir os quadros conceptuais da mudança que é necessária. Têm fundamentação e metodologias estudadas e desenvolvidas.

É, contudo, urgente encontrar respostas a questões essenciais:

– Como fazer com que cada um passe das palavras aos atos, no seu quotidiano de cidadão e consumidor;

– Como introduzir a lógica da sustentabilidade ambiental no coração das políticas sectoriais, traduzindo-a nos sistemas e nos mecanismos que enquadram o funcionamento da economia, da gestão urbana e do território, da vida em sociedade, em suma.

 

Este gráfico mostra o aumento da temperatura média do planeta entre 1850 e 2017. Os dados são da Berkeley Earth, uma organização formada por uma equipa de 11 reputados cientistas que analisa os dados da superfície terrestre.

 

 

Que soluções para reduzir o impacto das alterações climáticas? Não perca o Fronteiras XXI quarta-feira às 22h30 na RTP3

 

NOTAS

O autor escreve com o Acordo Ortográfico