Apesar dos melhores resultados dos alunos nos testes PISA, Portugal continua a ter taxas de reprovação elevadas e muitos alunos não terminam o secundário. A escola que temos responde às necessidades dos país? Precisamos de novas formas de aprender e de avaliar?
Em Portugal, 14% dos alunos abandonam a escola e o país tem uma das mais elevadas taxas de reprovações. Porque é que há tantos alunos desmotivados? Porque é que estudar é uma obrigação e não uma descoberta? Porque há tantas horas de aula e recreios tão curtos? A educação é fundamental, mas será a escola que temos aquela que precisamos?
No próximo programa Fronteiras XXI vamos conhecer salas de aula onde o professor não está no quadro e os alunos aprendem longe das secretárias. Escolas quase sem manuais, onde exames e TPCs praticamente desapareceram. Vamos conhecer outras formas de aprender, para perceber a escola básica e secundária que temos e a que devemos ter.
Para o debate convidamos David Justino, ex-ministro da Educação, que presidiu nos últimos quatro anos ao Conselho Nacional de Educação. Com ele vão estar a cientista e a mais jovem galardoada com o prémio Pessoa Maria Manuel Mota e Joaquim Sousa, o director que deu a volta à escola básica do Curral das Freiras, na Madeira, colocando-a entre as escolas públicas com melhores resultados do país.
Presidente do Conselho Nacional de Educação durante os últimos quatro anos. Doutorado em Sociologia, tem uma pós-graduação em História Económica e licenciou-se em Economia.
É professor catedrático do Departamento de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da mesma universidade (CICS.NOVA), onde coordena a área de estudos de educação.
Foi ministro da Educação do Governo de Durão Barroso, assessor para os Assuntos Sociais da Presidência da República e deputado da bancada parlamentar social-democrata.
Recebeu o Prémio Gulbenkian de Ciência e Tecnologia na área das Ciências Sociais (1987) e o prémio Grémio Literário 2017. Foi agraciado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2016).
Especialista na investigação da malária, é desde 2014 directora executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) de Lisboa.
Licenciou-se em Biologia, é mestre em Imunologia e doutorada em Parasitologia Molecular pela University College London (Reino Unido).
Fez investigação na New York University Medical School, nos EUA, onde também deu aulas e no Howard Hughes Medical Institute (EUA). Em Portugal liderou um grupo de investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência e no IMM.
Foi a mais jovem galardoada da história do Prémio Pessoa, que recebeu em 2013, aos 42 anos, pela sua investigação e pelo seu contributo para a “cidadania da ciência”.
Criou em 2002 a Associação Viver a Ciência, que pretende promover a Ciência de qualidade e o envolvimento dos cidadãos, crianças e jovens, na investigação que se faz no país.
Ao longo da sua carreira ganhou o EMBO Young Investigator Award (2003), o European Young Investigator Award da European Science Foundation (2004). Foi condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique (2005).
Chegou em 2009 à Escola Básica 123 do Curral das Freiras, numa das zonas mais isoladas da Madeira, onde quase todos os alunos estudam com apoio do Estado. Seis anos mais tarde, e com novas regras de funcionamento, a básica do Curral das Freiras foi a melhor escola pública do país nos exames nacionais do 3º ciclo.
Licenciado em Geografia pela Universidade de Lisboa, Joaquim Sousa já dera aulas noutra escola básica da Madeira, em Porto da Cruz. Foi em 2004 o responsável pela criação de prémios de mérito para alunos do terceiro ciclo e do ensino secundário em escolas públicas.
Foi professor convidado na Universidade dos Açores e ensinou na Secundária Vitorino Nemésio, na Terceira. Até lá foi docente em várias escolas da região de Lisboa.
É presidente do Fórum Mérito e Sociedade, uma associação que organiza conferências sobre temas de relevância social, foi fundador e vice-presidente da Associação de Investigação Científica do Atlântico. Foi fundador da Associação Insular de Geografia, organismo que quer valorizar esta ciência nos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias.
É moderador do programa Palavras e Ideias na TSF Madeira, e comentador para análise de questões políticos nesta rádio. Nasceu no Alentejo em 1973.
Gostei do programa, concordo com algumas coisas, mas é preciso repensar certas carreiras, como a de professores e educadores de infância, longevidade não é sinonimo de não ter dores, falta de paciência etc., porque falamos de crianças com 3,4 e 5 anos de idade todas na mesma sala, com necessidades diferentes. é difícil para uma educadora com quase 60 anos, estar à frente de uma sala destas, porque não estou incapacitada ,mas não tenho a força o vigor, a memória que tinha por ex. aos 30 anos.
Importante este arrejamento de ideias para desenvolver os processos de aprendizagem dos portugueses do futuro…mas o programa teve um “pecado mortal”, que foi a ausência dos principais interessados em que tudo isto corra bem… não se compreende um programa com este conteúdo sem um representante das associações de pais… é mesmo de lamentar
Importante este arrejamento de ideias para desenvolver os processos de aprendizagem dos portugueses do futuro…mas o programa teve um “pecado mortal”, que foi a ausência dos principais interessados em que tudo isto corra bem. Refiro-me aos pais e as suas associações… não se compreende um programa com este conteúdo sem um representante das associações de pais… é mesmo de lamentar
O gráfico da carga horária no 1.o ciclo está errado. Dos 6 aos 10 anos a carga não diminui. Pelo contrário acresce mais duas horas no 3.o e 4.o ano.
Pela leitura do gráfico apresentado dá a ideia que diminui.
Um diretor/professor de um agrupamento de escolas com 3000 alunos ou mesmo 5000 não pode ir buscar os alunos a casa!!!
Em muitas escolas o número de alunos é de 28 a 30 alunos.
Nas médias que apresentam misturam turmas reduzidas, por incluírem alunos com necessidades educativas especiais, com turmas de 28 alunos.
Nada do que mostraram na reportagem acerca da Finlândia.
O programa de história não é de 1991, como foi dito no programa. As metas curriculares de 2015 atualizaram-no. O último tema abordado é “estabilidade e instabilidade num mundo unipolar” (termina com o tratamento de Portugal num mundo globalizado)
E se falta a electricidade, falham as pilhas e não existem sistemas de back-up?
Têm os nossos estudantes de continuar DEPENDENTES das tecnologias e dos telemóveis para serem capazes de PENSAR/RACIOCINAR/AVALIAR uma situação ou um problema corrente e FAZER – com AUTONOMIA – umas meras contas ou cálculos do dia-a-dia?
O dr. David Justino diz que “ensina sempre aos seus alunos que vão ser professores”… Importa esclarecer que não o vão ser. O envelhecimento da classe é uma realidade e um dos muitos problemas da escola. Tenho 45 anos e sou sempre dos docentes mais novos em todas as escolas por onde tenho passado. Acresce que, cada vez mais, temos uma classe desmotivada pelos constantes ataques dos sucessivos ministérios.
A escola deveria ser gratuita até 12 ano! Depois. Na entrada para universidade, seria, conforme os rendimento do agregado familiar…
Na minha opinião (politica de impostos), deveria existir um único imposto no pais. Mas não existe! Analisada os respetivos rendimentos de cada contribuinte.
É possível saber os resultados que essas aulas do futuro estão a produzir nos alunos que estão integrados nos projetos pilotos? O que lhes dá que a atual sala de aula não consegue?
É sim. Estão em curso estudos com o objetivo de perceber como é que as propostas pedagógicas implementadas em espaços inovadores se relacionam com as práticas dos professores e as aprendizagens dos alunos. Sugiro uma visita por exemplo a http://ftelab.ie.ulisboa.pt mas encontra referências a estudos internacionais em diversos locais na internet.