A Terra ao rubro

As alterações climáticas e nós


O mundo está a aquecer...

Animação da NASA (acima) ilustra o aumento da temperatura média global: quanto mais encarnado, mais quente. O termómetro já subiu 1,0ºC desde 1880. Parece pouco mas não é.

13,7ºCTemperatura média global
(1880-1900)

14,7ºCTemperatura média global
(2013-2017)


...E Portugal também

Dados do Instituto Português do Mar e Atmosfera para o continente mostram que 2017 foi o segundo ano mais quente no país desde 1931. O recorde cabe a 1997.

Temperatura média anual


Continuamos a queimar combustíveis fósseis...

Emissões globais de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento.

Milhões de toneladas (Mt) de CO2


…e Portugal ainda depende muito deles

Três quartos da energia primária consumida em Portugal vêm dos combustíveis fósseis, a maior parte do petróleo, segundo os dados mais recentes (2016).


Cidadãos podem reduzir parte desta factura

Metade do consumo final de energia em Portugal ocorre nos transportes e no sector residencial. Eis o que estamos a gastar agora, desde que entrou nesta página, em combustíveis rodoviários e electricidade em casa.

0

0⛽️Litros de gasóleo

0🚙Litros de gasolina

0🔥Botijas de Gás

0💡Lâmpadas ligadas o ano todo


O que está a fazer em relação a isso?

Atitudes dos europeus face às alterações climáticas, segundo o último Eurobarómetro sobre o tema (2017).


Quanto menos se fizer, mais o termómetro vai subir

Aumento médio da temperatura global até 2100 em relação a 1986-2005, segundo quatro cenários de emissões mundiais de CO2. Neste momento, estamos a seguir a trajectória mais gravosa.

+1,0ºCSe emissões forem reduzidas drasticamente a partir de 2020

+1,8ºCSe emissões começarem a ser reduzidas a partir de 2040

+2,2ºCSe emissões começarem a ser reduzidas a partir de 2060

+3,7ºCSe emissões continuarem a subir até 2100


Como será o clima em Portugal

Temperatura e precipitação no final do século no país, se continuarmos no caminho que estamos a seguir.


Calor

Temperaturas máximas podem aumentar em média cerca de 6ºC no Verão e Outono e de 2 a 4ºC no Inverno e Primavera até 2100. Ondas de calor tornam-se mais frequentes, passando de uma para sete entre Maio e Setembro, e mais longas, podendo durar mais de um mês. Número médio de noites tropicais (temperatura mínima maior do que 20ºC) sobe de sete para 60.


Chuva

Vai chover menos 15 a 20% em termos anuais em 2100. Na Primavera, a diminuição poderá ser maior: 30 a 40% no Sul do país, 20 a 30% no Norte. No Verão, que normalmente já é seco, choverá ainda menos (30 a 50%). Tendencialmente, a chuva cairá mais concentrada, em dias com maior precipitação, aumentando assim o risco de cheias. Secas serão mais prolongadas.


Quanto subirá o termómetro na sua região?

Médias das temperaturas máximas nas diferentes estações do ano, no cenário mais pessimista.

Média das temperaturas máximas em 2071-2100 Média das temperaturas máximas em 1971-2000


Outras consequências no país

Impactos de um mundo mais quente em alguns sectores em Portugal.


Litoral

Nível do mar poderá subir 82 cm até 2100 a nível mundial. Em Portugal, a subida e uma possível alteração na orientação das ondas acentuarão a erosão costeira e a frequência de episódios de galgamento do mar sobre a costa. O ritmo de subida do nível do mar em Portugal, medido em Cascais, duplicou em 2000-2013, em relação a 1977-2000.


Agricultura

Condições climáticas serão mais desfavoráveis para a actividade agrícola em Portugal, com mais calor, menos chuva e mais eventos meteorológicos extremos. Temperaturas mais altas favorecem pragas e incêndios florestais. Pode haver alguns impactos positivos, por exemplo pela redução na frequência de geadas.


Biodiversidade

Animais e plantas terão de reencontrar o seu óptimo climático. Para as aves ameaçadas de extinção, um clima mais quente será melhor para espécies como a águia imperial, o sisão e a abetarda, mas pior para a cegonha negra, o milhafre real e o açor. Poderá haver mais veados e raposas, porém menos lobos e gatos-bravos. Anfíbios e répteis serão particularmente afectados.


Renováveis

Queda na precipitação e aumento da evaporação podem reduzir a produção de electricidade nas barragens. Alterações nos ventos vão trazer ganhos e prejuízos para as centrais eólicas, com quebras de produção na Primavera e Outono e ganhos no Verão. Haverá um ligeiro aumento da radiação captada pelos painéis solares, que porém tornam-se menos eficientes sob temperaturas elevadas.


Saúde

A saúde no Sul da Europa será particularmente afectada pelas temperaturas altas. As hospitalizações por doenças relacionadas com o calor podem triplicar. A mortalidade aumentará no Verão, mas diminuirá no Inverno. Antevê-se um aumento da incidência de doenças transmitidas por insectos alimentos e água.


Água

Menos precipitação e secas reduzirão o volume de água nos rios e albufeiras, bem como a recarga das reservas subterrâneas. Qualidade da água pode piorar. Tais consequências conjugam-se com o aumento na procura de água, sobretudo por parte da agricultura.


O tempo está a passar…

Há muito por fazer, mas o relógio já vai adiantado. Estamos próximos dos limites acima dos quais será improvável conter o aquecimento global abaixo dos 2,0ºC até 2100.

Concentração de CO2

Emissões acumuladas de CO2

Aumento da temperatura média global