À procura do segredo da longevidade

Catarina Guerreiro jornalista

A cada dia a esperança de vida aumenta cinco horas. Para os cientistas é urgente descobrir segredo da velhice para adiar doenças como o Alzheimer e evitar o colapso dos sistemas de saúde. Investigam-se os genes dos centenários, fazem-se transfusões de sangue de jovens para pessoas mais velhas e o primeiro medicamento antienvelhecimento vai começar a ser testado em humanos. Alguns cientistas acreditam que quem nasce hoje pode viver até aos 150 anos.

«Queremos viver para sempre?» foi o tema do Fronteiras XXI de 1 de Novembro de 2017 na RTP3.

 

 

O primeiro medicamento antienvelhecimento vai ser testado em humanos. Cientistas garantem ser urgente descobrir segredo da velhice para adiar doenças como o Alzheimer e evitar colapso dos sistemas de saúde. Em 2050 haverá quase dois mil milhões de pessoas com mais de 60 anos. Está a testar-se se um creme para a cara como uma solução para a longevidade, estuda-se os genes dos centenários e fazem-se transfusões de sangue de jovens para pessoas mais velhas. E não há tempo a perder. a cada dia a esperança de vida aumenta cinco horas. Alguns cientistas acreditam que quem nasce hoje pode chegar aos 150 anos.  O objectivo é conseguir que se tenha também qualidade de vida.

Imagine ir ao médico ainda jovem e a sair de lá com uma receita de um medicamento que consegue impedir ou, pelo menos, adiar que lhe apareçam, quando for mais velho, doenças como o Alzheimer, o cancro, o Parkinson ou um problema cardiovascular? Segundo o investigador português João Passos, do Instituto para a Saúde e Envelhecimento da Universidade de Newcastle, em Inglaterra, é assim que será a medicina do futuro: em vez de os médicos tratarem, na velhice, uma doença de cada vez,  vai-se antes ludibriar o envelhecimento.

“Estamos a viver mais tempo mas não somos necessariamente mais saudáveis. As doenças crónicas têm aumentado e o  envelhecimento é o principal factor de risco. As células no nosso corpo acumulam danos com o tempo e tornam-se cada vez menos capazes de os reparar. E esses danos acumulados manifestam-se de modo diferente nas pessoas- algumas terão cancro, outras doenças cardiovasculares, outros doenças neurodegenerativas”, explica o cientista, de 37 anos. E avisa:  “A medicina moderna lida com o problema curando uma doença de cada vez, o que é totalmente ineficaz”.

A solução, diz, é outra. E é nisso que ele e outros investigadores estão a apostar. “O nosso objectivo, como biogerontologistas, é descobrir intervenções que permitam evitar que os danos ocorram ou adiar a sua incidência nas células. Deste modo, conseguiremos adiar também a incidência de todas as doenças associadas ao envelhecimento”.

Pelo mundo investe-se, neste momento, em descobrir formas de combater o envelhecimento ou de perceber os segredos da longevidade.  A ideia é conseguir que se viva mais, mas também com qualidade.

E, pela primeira vez na história da medicina, foi recentemente aprovado um ensaio clínico em humanos para testar um remédio antienvelhecimento. Trata-se de uma substância que é receitada pelos médicos para os diabetes tipo 2 , mas que provou ter capacidades antienvelhecimento. O projecto, inédito, está a ser liderado por Nir Barzilai, um ex-médico do Exército israelita que preside ao Instituto para Pesquisa do Envelhecimento na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova Iorque, e que teve como base estudos feitos por vários cientistas.

“A aprovação deste ensaio em humanos foi uma revolução de mentalidades”, assegura João Passos, explicando que até agora era muito difícil darem luz verde a qualquer teste deste tipo por o envelhecimento não ser visto como uma doença. Uma das estratégias usadas, neste momento, pelos cientistas que estão a investigar a longevidade e o envelhecimento é utilizar suplementos e medicamentos existentes no mercado para outros problemas de saúde, e que já se revelaram seguros, e ver os efeitos que podem ter para combater os pontos fracos da velhice.

Assim, João Passos está a testar a acção de um medicamento para o cancro e Filipe Cabreiro, da University College London, dedica-se agora a perceber como é que os micróbios do intestino reagem a certas drogas e nutrientes e regulam a longevidade nos animais em que estão a fazer as experiências.  O microbiólogo

João Pedro de Magalhães, que lidera um laboratório na Universidade de Liverpool, no Reino Unido, segue a mesma táctica. E está a verificar se um composto químico chamado alantoína, normalmente utilizado em cremes para rejuvenescer a cara, pode ser utilizado para prolongar a longevidade. Já fez testes em minhocas, que vivem poucas semanas. “Conseguiram aumentar entre 15 a 20% a sua longevidade”, garante.

“Todos os dias a esperança de vida aumenta cinco horas”

Descobrir  medicamentos ou suplementos que permitam combater o envelhecimento é, para muitos cientistas, uma luta  contra o tempo.

Isto por estarem a ver crescer rapidamente um cenário preocupante: a população está a viver mais, mas também a ficar mais idosa e com mais doenças.  “Isso pode gerar um colapso geral dos sistemas de saúde e económicos dos países ocidentais, que não tem capacidade para providenciar serviços”, avisa Filipe Cabreiro.

Esse mesmo alerta foi feito este mês pela Organização Mundial de Saúde, que a 1 de Outubro,  Dia Internacional da Pessoa Idosa, lembrou o cenário que se espera:  até 2050 haverá quase dois mil milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o dobro dos 900 milhões que viviam em 2015.

E Portugal não foge à tendência. Dados da Pordata indicam que o número de pessoas  no país com mais de 65 anos duplicou em relação aos anos 70 e é hoje superior a dois milhões.  Além disso, a revista “Lancet” do passado mês de Setembro trazia uma boa notícia: os portugueses estão a viver mais do que seria expectável tendo em conta o nosso desenvolvimento sócio-económico.

No estudo “Global Burden of Disease 2016”, publicado no mês passado, fica-se a saber que as portuguesas, quando nascem, têm agora  uma esperança média de vida de 84 anos; já a dos homens portugueses é de 77,8.  Valores superiores à média dos 195 países e territórios analisados por todo o mundo, que foi de 75,3 anos para o sexo feminino  e de 69,8 anos para o masculino. Ficou-se a saber que o país onde se vive menos é na República Centro-Africana –  aqui não se sobrevive, em média, aos 50,2 anos. Já o Japão é o recordista da esperança de vida: as japonesas chegam em regra aos 86,9 e os homens aos 80,7 anos.

Perante estes números, João Passos diz não ter dúvida  de que a única solução é descobrir como actuar no processo de envelhecimento. E não há tempo a perder, diz: “Todos os dias, a esperança de vida aumenta cinco horas”.

João Pedro de Magalhães traz outra boa notícia: quem nasce hoje já tem fortes hipóteses de viver até aos 150 anos. Chegar ao século e meio de vida , explica, pode tornar-se uma realidade tendo em conta os avanços científicos e médicos que deverão ocorrer nos próximos anos. “Já se sabe que é possível manipular o processo de envelhecimentos em modelos animais, por isso também o será em humanos”, explica.

João Passos também acredita que se atinja facilmente os 100 anos de vida. Mas é mais prudente e lembra que isso depende do contexto social e económico e recorda que há estudos recentes que indicam que a esperança média de vida em alguns países, como os EUA, está a baixar em resultado da crise de obesidade que atingiu o país. Uma ideia partilhada por Cabreiro:  «O constante aumento da obesidade e diabetes nas sociedades avançadas tem tido um impacto dramático na redução da longevidade de muitos indivíduos”.

O tema não é pacifico, nem mesmo entre os cientistas. Uns preferem apostar no combate ao envelhecimento, outros assumem estar interessados na procura do segredo da longevidade. “A mim, a longevidade não me interessa tanto. O  meu objectivo como biogerontologista é descobrir como evitar ou atrasar que os danos ocorram nas células, para adiar a incidência de todas as doenças associadas ao envelhecimento”.  Daí que se foque, argumenta, em descodificar o processo de envelhecimento das células.

Filipe Cabreiro é da mesma opinião: “A ciência, em vez de se focar unicamente em aumentar a longevidade, tem que se centrar em melhorar a qualidade de vida nos anos mais avançados”.

A vida pouco saudável dos quatro irmãos centenários

Já João Pedro de Magalhães assenta parte da sua investigação em descobrir o que faz algumas pessoas terem maior longevidade do que outras, apostando na genética. E neste momento está a fazer um estudo com os chamados “super centenários”, pessoas com mais de 110 anos. Está a estudar o seu genoma para perceber a influência dos genes na duração das suas vidas.

À partida, os genes são responsáveis por 25% da longevidade de uma pessoa. “Mas sabe-se que, nas pessoas que vivem muito mais do que é normal, os tais super centenários,  essa percentagem de influência genética aumenta”. Por isso, o cientista diz que, para se conseguir viver muito para além da esperança média de vida, é “preciso escolher bem os pais e os avós”.

Nesses casos, garante, o estilo de vida não é determinante. Entre os centenários que analisa há uns que fumavam e bebiam álcool e não faziam exercício físico. Aliás, Jeanne Calment, a francesa que mais viveu até agora (122 anos e 164 dias), adorava chocolate, bebia vinho do Porto e fumou a vida toda. O mesmo vício tinham alguns dos quatro irmãos norte-americanos que foram alvo de estudo por viverem todos mais de 100 anos. Integram o estudo que Nir Barzilai coordena desde 1998, o ‘Projecto dos Genes da Longevidade’, em que se investiga o material genético e o historial médico de 670 idosos e seus filhos.

Os quatro irmãos Kahn nasceram em Nova Iorque na década de 1910. Lee viveu até aos 101, Peter até aos 103, Irving chegou aos 109, e Helen morreu a poucas semanas de completar 110 anos.

Helen que era a mais velha e faleceu em Setembro de 2011, fumou ao longo de mais de 90 anos. E, como Nir Barzilai relatou em várias entrevistas, quando lhe perguntou se nunca ninguém lhe tinha recomendado que parasse de fumar, ela respondeu: “Sim claro. Mas os quatro médicos que me recomendaram isso já morreram”.

Estes irmãos, garante o investigador, demonstram que é possível viver até aos 110 e de forma saudável. Irving, por exemplo, que morreu em Fevereiro de 2015, começou a trabalhar na bolsa de Nova Iorque na época da crise de 1929 e, pouco antes de morrer, ainda trabalhava como analista financeiro.

Depois de investigar a vida das centenas de centenários, o médico verificou que 60% dos homens centenários e 30% das mulheres fumaram durante muito tempo, quase 50% eram obesos e menos de metade faziam exercício. E chegou a uma conclusão: viveram muito porque tinham genes que os protegiam. E é à procura desses genes que andam muitos do investigadores pelo mundo. Sabe-se, por exemplo, que os irmãos Kahn tinham uma mutação num gene associada a níveis elevados de colesterol bom.  Mas de resto ainda se sabe pouco.

Aliás, Filipe Cabreiro veio acabar com o mito de que existia um gene da longevidade. Num artigo que publicou na revista “Nature”, em 2011,  demonstrou que a sirtuína – uma proteína existente na levadura –  não tinha qualquer efeito na longevidade, ao contrário do que tinha sido dado como adquirido desde 1999 por um grupo de cientistas e que levou várias empresas de cosméticos e farmacêuticas a investir.

“Esse estudo teve um impacto muito grande na comunidade científica”, confirma o português que desfez o mito.  A prova, diz, é que o artigo que publicou na “Nature”  “já foi citado 500 vezes em 6 anos”.

Desde que ‘desmascarou’ os falsos poderes da sirtuína na longevidade, grande parte das empresas deixaram de apostar na investigação do efeito dessas enzimas no envelhecimento. “Elas têm um papel relevante na regulação do metabolismo, mas não na longevidade. Infelizmente, havia demasiados interesses económicos por trás das publicações que criaram o mito das sirtuínas na longevidade”.

Mais certas parecem ser as estimativas sobre a longevidade dos portugueses.  Segundo as projecções do Instituto Nacional de Estatística divulgadas em Abril deste ano,  o número de portugueses com 100 ou mais anos por cada 100 mil habitantes vai passar dos atuais 41,5 para 283. Até 2080, os portugueses vão ganhar dez anos na sua esperança de vida: os homens viverão até aos 87 e as mulheres até aos 92 anos.

O limite da vida humana é 115 anos?

Mas há ou não um limite para a vida humana? “Ora ai está uma boa pergunta”, diz Filipe Cabreiro. “Para já”, acrescenta, “a única coisa que se sabe é que a pessoa que viveu mais tempo chamava-se Jeanne Calment e viveu 122 anos”.

Recentemente, num artigo publicado na revista “Nature”, o especialista em longevidade Jan Vijg sugeriu que existia um limite para a vida humana – 115 anos. Mas, diz Filipe Cabreiro, este artigo foi contestado. “Cinco grupos independentes expuseram já as fraquezas desse estudo e mostraram que as analises feitas não permitem aos autores concluírem que a longevidade humana tem um limite fixo”.

É essa a opinião de João Passos.  “Teoricamente, não acredito que exista um limite biológico para a esperança de vida. Desde que se possa reparar e substituir células não funcionais, será possível manipular a esperança de vida”. E dá um exemplo: “Existem seres vivos simples, como a hidra, que se pensa ser imortal, visto conseguir constantemente substituir as suas células envelhecidas por outras mais jovens”. E o investigador de Newcastle já ajudou a dar passos nesse sentido. Ele e a sua equipa conseguiram recentemente mostrar que, quando se retira das células uma determinada estrutura (as mitocôndrias), que produz a energia necessária para a células viverem, elas rejuvenescem.

João Pedro de Magalhães também tem casos concretos que, garante, provam que “envelhecer não é inevitável nem universal”. Há espécies, refere, que aparentam nunca ficarem velhas, como as tartarugas, alguns peixes e as salamandras. “Já se provou que é possível manipular com medicamentos o envelhecimento em animais, por isso é possível em humanos”.

Google quer descobrir segredo da velhice

O tema está cada vez mais na ordem do dia. Por isso, algumas das maiores empresas do mundo decidiram apostar na investigação do mistério do rejuvenescimento. Foi o caso da Google, que em 2013 lançou um projecto que tem como missão descobrir o processo da velhice e as doenças a ele associadas. Chama-se Calico e é liderado por Arthur Levinson – um bioquímico norte-americano, de 67 anos. Ao mesmo tempo, o envelhecimento passou a ser um tema abordado por várias personalidades.

António Guterres, por exemplo, falou dele no discurso que fez em Setembro, numa mensagem em vídeo que foi transmitida por altura da conferência ‘Uma sociedade para todas as idades: concretizando o potencial de viver mais’. “Assumam os desafios da longevidade e a riqueza do potencial humano. A aprendizagem da vida, saúde e o apoio intergeracional são cruciais”, disse o secretário-geral da ONU.

Por outro lado, enquanto não surge a pílula do rejuvenescimento, sucedem-se os estudos, ensaios e projectos, alguns, polémicos que apostam em promessas de  longevidade.

Um norte-americano criou uma start up (Ambrósia) que está a vender sangue de pessoas mais novas. E apesar de estar a  ser criticado pela comunidade científica, o médico Jesse Karmazin garantiu, em Junho deste ano, numa conferência que decorreu na Califórnia, que as transfusões de sangue de pessoas jovens em pessoas com mais de 35 anos estão a ter resultados positivos.

Segundo relatou, os que receberam o sangue novo  têm sentido melhorias no estado de saúde. Karmazin disponibiliza o sangue, comprado a bancos de colheita, e quem o quiser receber tem de pagar sete mil euros.

A ideia de usar sangue não é porém, nova. Neste momento está a decorrer um ensaio clínico no EUA que passa por usar sangue de pessoas novas em doentes de Alzheimer. Polémico é também o projecto anunciado recentemente por um médico italiano,  Sergio Canavero, coordenador do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim,  promete fazer, em breve, o primeiro transplante de cabeça. Isto para resolver o problema dos que têm doenças motoras e degenerativas e que tem sido noticiado pelos jornais e revistas de todo o mundo.

Mais consensual parece ser a descoberta anunciada em Julho deste ano por um grupo de investigadores norte-americanos – liderada por  Dongsheng Cai, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova Iorque, que indica que a velhice é reversível.

Num artigo publicado há poucos meses na “Nature”, contam que conseguiram identificar as células do hipotálamo que controlam o processo de envelhecimento. Trata-se, desvendaram, de um pequeno conjunto de células-tronco neurais adultas, também responsáveis por formar novos neurónios. O número dessas células-tronco vai diminuindo com a idade, dizem. Mas elas, ou as moléculas que elas produzem, podem ser repostas, sendo  possível “desacelerar, ou até reverter vários efeitos do envelhecimento no organismo”.

É também nos neurónios que Cláudia Almeida,  investigadora principal do centro de investigação das doenças crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, procura a resposta para o envelhecimento e doenças como o Alzheimer – que afecta uma em cada 10 pessoas.

“Estamos a investigar o processo de envelhecimento dos neurónios  e ver de que forma o envelhecimento das células contribuiu para a doença”, refere a investigadora, que no ano passado publicou um artigo na revista científica “EMBO Reports”, onde revelou a descoberta do mecanismo pelo qual dois genes aumentam o risco de desenvolvermos Alzheimer.

Esta, assim como o Parkinson, são hoje em dia alguma das doenças mais estudadas em Portugal e no resto do mundo. E, enquanto não se descodifica o processo de envelhecimento, vão decorrendo vários ensaios clínicos para tentar perceber a eficácia de novos tratamentos e vão-se aperfeiçoando técnicas para controlar os sintomas.

Uma das intervenções mais recentes, também a ser aplicada nos estabelecimentos de saúde portugueses, é a estimulação cerebral profunda. Uma cirurgia em que os médicos colocam  eléctrodos dentro do cérebro dos doentes para interferirem nos circuitos cerebrais. Já mais de 500 portugueses vivem com estes eléctrodos, a grande maioria doentes com Parkinson. Neste momento, aguarda-se os resultados do estudo que está a ser feito em doentes de Alzheimer para ver se a cirurgia também é eficaz. O estudo está a ser feito por um investigador da Universidade de Toronto, Andres Lozano – que esteve recentemente em Portugal a participar na conferência sobre o Alzheimer promovida pela Fundação Champalimaud, em conjunto com a Fundação Rainha Sofia, de Espanha. Os resultados preliminares que o médico publicou no Journal of Alzheimer’s Disease indicam que os pacientes com mais de 65 anos registaram algumas melhorias. A ideia, tem explicado o especialista canadiano em várias entrevistas e conferências, é evitar a deterioração da zona da memória e recuperá-la, através de 130 impulsos eléctricos por minuto  lançados por eléctrodos colocados no fórnix – um conjunto de neurónios que envia sinais para o hipocampo – onde estão os circuitos da memória.  Já usada no Parkinson, doença que afecta 18 mil portugueses, a cirurgia é agora uma das esperanças para tratar o Alzheimer,  que atinge mais de 100 mil pessoas no país.  Pelo mundo  esta e outras demências não param de crescer e estima-se que em 2050 atinjam 130 milhões.

Mas, se para alguns cientistas a cura do envelhecimento não está para breve, para outros é uma questão de poucas décadas. É o caso de Aubrey de Grey, um

biomédico e gerontologista inglês de 53 anos, formado em Ciências da Computação pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que acredita que dentro de 20 anos se pode acabar com o envelhecimento. Segundo explica em conferências que tem dado pelo mundo inteiro, como sucedeu este ano em São Paulo, no Brasil, em breve ninguém morrerá de velhice. Mais: ele garante que, com os novos avanços, um dia poderemos viver mil anos. Para muitas pessoas, a ideia parece estranha. Mas há outras para quem seria a melhor notícia do mundo, entre elas o investigador João Pedro de Magalhães: “Se tivesse boa saúde, acho que não me cansaria de viver”.