SIMULADOR
Faça de “Super-Ministro(a) das Finanças” e tente reduzir a dívida pública

Como vai evoluir a dívida pública na próxima década?
Quanto tem de crescer o PIB para que Portugal consiga ficar finalmente na ‘zona de segurança’ dos 60% exigidos pelas regras europeias? A partir de que taxa de juro é que a dívida pública entra numa trajectória de crescimento explosiva?
E será que é preciso eliminar o défice para acabar com a dívida?
Uma forma simples de responder a estas questões é através de um exercício de simulação. Esta ferramenta dá-lhe essa possibilidade. Imagine que é um “Super-Ministro(a) das Finanças” durante alguns minutos e que é capaz de determinar os principais factores que afectam a dívida pública.

O primeiro cenário, dado pela linha azul, mostra-lhe a evolução esperada da dívida pública nas próximas décadas, se o défice se mantiver ao nível de 2016 e se se confirmarem as previsões actuais para o crescimento e taxas de juro. O segundo cenário cabe-lhe a si determinar: reduzindo (ou aumentando) o défice e fixando a taxa de crescimento do PIB real e a taxa de juro cobrada ao estado, pode descobrir o impacto destes factores no longo prazo.
Crescimento do PIB real
0%
4%
1,4%
/ANO
Cenário base: 1,4%
Taxa de juro cobrada ao Estado
0%
10%
3,5%
/ANO
Cenário base: 3,5%
Consolidação Orçamental em % do PIB
(valor > 0% melhora o saldo primário;
< 0% piora-o e aumenta o défice)
-2%
5%
0%
em 2017
Cenário base: 0%
Incluir custos
de envelhecimento
Sim
Não
Multiplicador
0
2
0,8
Cenário base: 0,8

COMO UTILIZAR?

1. Escolha os valores para a taxa de crescimento do PIB e taxa de juro ao longo das próximas décadas. Um crescimento mais alto permite diluir a dívida num PIB maior. A subida da taxa de juro, por outro lado, contraria (e pode até anular) este efeito. Os valores pré-definidos estão fixados em torno das previsões feitas pelo Conselho das Finanças Públicas e pelo Orçamento do Estado de 2017.

2. Conduza a política orçamental. A barra ‘consolidação orçamental’ permite-lhe reduzir o défice público, até um valor máximo de 5% do PIB em 2017. Se quiser testar os efeitos de um aumento do défice basta seleccionar um valor negativo. Obviamente, quanto mais alto for o défice mais rápido crescerá a dívida.

3. Inclua as pressões demográficas. O envelhecimento da população gera grandes pressões sobre as contas públicas. Se desejar incluí-las, coloque “sim” no botão correspondente.

4. Escolha os efeitos da consolidação na economia. Se quiser, pode permitir que a consolidação orçamental tenha impacto no crescimento da economia. Ao escolher um valor positivo para o botão ‘multiplicador’, os seus planos orçamentais vão influenciar o PIB, gerando efeitos de feedback que tornam a análise mais complexa, mas também mais desafiante.

Fórmulas e hipóteses

A evolução da dívida pública é determinada pela conhecida equação

ΔDPt = DPt-1 * (i - g) - SPt, em que:
  • ΔDPt corresponde à variação da dívida pública no ano em curso
  • DPt-1 corresponde ao valor da dívida pública no ano anterior
  • i corresponde à taxa de juro total sobre o stock completo de dívida
  • g corresponde à taxa de crescimento do PIB nominal
  • SP representa o saldo primário das contas públicas.
A taxa de juro está fixada 3,3% em 2017, com os valores subsequentes a serem escolhidos pelo utilizador. O valor pré-definido de 2018 em diante é 3,5%, em linha com os números do Orçamento do Estado para 2017.

A taxa de crescimento real do PIB é de 1,3% em 2017, conforme previsto pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP). Os valores seguintes são escolhidos pelo utilizador, correspondendo a pré-definição aos 1,4% que também constam das previsões do CFP. A taxa de inflação, necessária para converter o crescimento real em nominal, é de 1,1% em 2017 e converge lentamente ao longo dos cinco anos seguintes para 2%, também em linha com as expectativas do CFP.

O Saldo Primário é fixado inicialmente em 1,8% do PIB, o valor esperado pela Comissão Europeia para 2016, líquido de medidas one-off e outros factores temporários. Este Saldo Primário pode ser afectado pela consolidação orçamental escolhida pelo utilizador e pelos custos de envelhecimento. Estes custos dizem respeito à despesa acrescida com pensões e cuidados hospitalares, tal como previsto pela Comissão Europeia no Ageing Report 2015.

A escolha de um multiplicador superior a zero faz com que a consolidação orçamental afecte negativamente o crescimento do PIB. Este efeito é revertido ao longo dos sete anos seguintes, o que significa que a travagem sentida no ano da consolidação é compensada por uma aceleração da taxa de crescimento nos anos seguintes.