Os encantadores de humanos

4 perguntas a Rosário Grou Psicóloga clínica e directora da pós-graduação em Terapia Assistida por Animais do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

“As Terapias Assistidas por Animais são eficazes para diferentes problemáticas, como paralisia cerebral, Síndrome de Down, autismo, esquizofrenia, distúrbios de atenção, de aprendizagem, de percepção, de comunicação e de linguagem, de hiperactividade e problemas como insónia e stress.”

 

“Nós e os Animais” Não perca o próximo Fronteiras XXI, dia 11 de Dezembro às 22h00, na RTP3

 


O convívio regular, pacífico e próximo com algumas espécies de animais sempre nos trouxe vantagens. Até na Antiguidade os gregos acreditavam que cavalos, cães e outros bichos podiam dar um contributo importante no processo de tratamento de certas doenças. Mas foi só num período mais recente da História que percebemos a extensão e profundidade da sua ajuda. De algo aparentemente tão simples como diminuir a toma de medicamentos ao melhoramento das capacidades cognitivas, de comunicação e de interacção social bem como da mobilidade e da motricidade fina. “Os resultados veem-se rapidamente”, garante a psicóloga clínica Rosário Grou. Sobretudo, “em crianças, adolescentes e idosos”, revela directora da pós-graduação em Terapia Assistida por Animais do ISPA.

 

Quando é que os animais começaram a ser usados no tratamento de certos doenças humanas?

A citação mais antiga sobre as terapias realizadas por animais data de aproximadamente 400 anos A.C. Hipócrates, considerado o pai da Medicina, acreditava que cavalgar trazia benefícios neurológicos. O The York Retreat, no Reino Unido, foi a primeira instituição para doentes mentais que, em 1792, utilizou os animais com o objectivo de reduzir a utilização de fármacos. E Boris Levinson foi o primeiro psicólogo a realizar psicoterapia infantil orientada por animais, em 1961.

 

Que animais são mais usados com fins terapêuticos e que características devem ter?

Cães e cavalos são os mais usados, embora possam ser utilizados outros animais. No âmbito das Intervenções Assistidas, um animal deve ter como características essenciais a inexistência de agressividade e o interesse em interagir com humanos. Além disso, deve ter adquirido treino em obediência básica pelo método do reforço positivo.

 

Qual é o objectivo das Terapias Assistidas por Animais?

As TAA têm como objectivo promover o desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social dos pacientes. E são eficazes para diferentes problemas: de desenvolvimento, como paralisia cerebral; neurológicos, ortopédicos e posturais; deficiências intelectuais, como o Síndrome de Down; défices sociais, como distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia e psicoses; carências emocionais; deficiências visual e/ou auditiva; distúrbios de atenção, de aprendizagem, de percepção, de comunicação e de linguagem, de hiperactividade; e problemas como insónia e stress. 

 

Normalmente, quanto tempo demora a produzir efeitos?

Conseguindo-se estabelecer uma eficaz relação terapêutica e não existindo receios face ao animal, os resultados veem-se rapidamente. De uma forma geral, obtêm-se resultados mais fácil e eficazmente em crianças, adolescentes e idosos. O processo tende a ser mais moroso nos adultos, por causa das defesas psicológicas.    

 

 

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