Como será o trabalho do futuro?

PROGRAMA 02  

15 MARÇO 2017
22H00
Manuela Veloso, António Moniz, Manuel Carvalho da Silva e João Paulo Oliveira

Como será o emprego no futuro? Que profissões vão desaparecer e que novas áreas de trabalho serão necessárias? O Fórum Económico Mundial calcula que, até 2020, as novas tecnologias e a robotização acabem com mais de 7 milhões de postos de trabalho. Neste período serão apenas criados 2 milhões de novos empregos, num balanço final que deixa 5 milhões de desempregados.

As previsões dos efeitos daquela que é chamada a quarta revolução industrial são visíveis todos os dias num mundo empresarial cada vez mais automatizado. Só a Foxconn, empresa fornecedora de material eléctrico para a Apple e Samsung, com sede em Taiwan, substituiu 60 mil funcionários por robôs no ano passado. E não são apenas as profissões mecanizadas que vão sofrer este embate. Grande parte dos administrativos em quase todos os sectores serão esvaziados de funções por sistemas informáticos cada vez mais aperfeiçoados.

Como vão viver estes desempregados? O mercado tem capacidade para os absorver? A que custo? Na Finlândia, o governo está a testar soluções sociais inovadoras para lidar com estes problemas: começou a atribuir a duas mil pessoas um rendimento básico mensal de 560 euros, com o qual espera estimular o trabalho. Será uma solução?

Convidados neste programa

Investigadora e professora em Carnegie Mellon

Manuela Veloso

É uma das maiores referências mundiais na área da robótica. A investigadora portuguesa de 59 anos lidera o departamento de Machine Learning da Universidade de Carnegie Mellon, nos EUA onde dá aulas de Ciências da Computação. Foi nesta universidade que se doutorou, depois de ter feito o mestrado e a licenciatura em Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Foi presidente da Associação para o Avanço da Inteligência Artificial e desenvolve investigação nas áreas da inteligência artificial e da robótica. Fundou o grupo Coral (http://www.cs.cmu.edu/~coral/ ) que se dedica à investigação de robôs que colaboram, observam, raciocinam e aprendem. Já trabalhou com uma variedade de robôs autónomos, inclusive robôs de serviço, "CoBot", que fazem de guias nos locais de trabalho e transportam objectos. É uma das responsáveis pelo Robocup, um campeonato de futebol de robôs, que se realiza anualmente desde 1997.

mais +
Sociólogo e professor na UNL e no Inst. Karlsruhe

António Moniz

Especialista em Sociologia do Trabalho e das Organizações tem feito investigação sobre o futuro do trabalho e o impacto da robótica na organização interna das empresas. É professor associado de Sociologia Industrial na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (UNL), onde coordena o programa de doutoramento em Avaliação de Tecnologia. Na mesma instituição, é também coordenador do pólo de inovação empresarial e do trabalho, o IET/CICS Nova.
É ainda investigador no Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, país onde já tinha sido investigador convidado no Instituto Fraunhofer de Sistemas e Inovação Tecnológica.
Faz parte da direcção do Board of Research Committee 23 da Associação Internacional de Sociologia.
Licenciado no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), doutorou-se na Universidade Nova de Lisboa onde fez também a Agregação. Nasceu em Coimbra há 60 anos.

mais +
Professor no CES, ex-dirigente da CGTP

Manuel Carvalho da Silva

Esteve 25 anos à frente da CGTP, tornando-se o líder histórico da maior estrutura sindical portuguesa e um especialista nos direitos dos trabalhadores. Manuel Carvalho da Silva, de 68 anos, fez o curso de montador electricista na Escola Industrial de Braga e trabalhou como operário na mesma área. Esteve na Chromolit Portugal e na Electromecânica Portuguesa Preh. Foi eleito coordenador da CGTP-IN em 1986 e Secretário-geral entre 1999 e 2012. Licenciou-se aos 51 anos em Sociologia no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa onde também concluiu o doutoramento (2007) com a tese “A acção colectiva e o sindicalismo na era da globalização”. Foi professor catedrático convidado na Universidade Lusófona e é investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), coordenando a delegação de Lisboa e o Observatório sobre Crises e Alternativas. É membro do Conselho Geral da Universidade do Minho.

mais +
Administrador executivo da The Navigator Company

João Paulo Oliveira

É administrador executivo da antiga Portucel, hoje The Navigator Company, empresa nacional de produção e transformação de papel. Durante mais de 25 anos esteve ligado à gigante alemã Bosch: Foi Presidente da Unidade de Negócios de Água Quente do grupo a nível mundial e liderou em Portugal a Bosch Termotecnologia. Neste grupo dirigiu também unidades de negócio na Alemanha, China, Índia e Brasil.
Licenciado em Engenharia e Produção Industrial pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, é membro do Conselho Geral da Universidade de Aveiro e do Conselho de Supervisão do Fraunhofer Institute em Portugal. Entre 2009 e 2012 assumiu a presidência da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. Tem 51 anos.

mais +

Comentários 4

Diga-nos o que pensa sobre este tema. Coloque questões.

Comentar

@#fronteirasXXI